A interação entre dois ou mais componentes curriculares para superar a fragmentação de conhecimentos, implica uma troca entre especialistas de vários campos do conhecimento na discussão de um tema, na resolução de um problema, tendo em vista uma compreensão global da realidade.
A característica central da interdisciplinaridade consiste no fato dela conseguir incorporar os saberes, os esquemas conceituais de análise, os instrumentos e técnicas metodológicos de várias especialidades, superando a fragmentação e isolamento dos conteúdos curriculares. A ideia é ligar o conhecimento teórico a prática, isto é, compreender a realidade para intervi-na.
Atitudes e práticas interdisciplinares não significam romper com a organização do currículo por componente curricular, pois não há prática interdisciplinar sem a especialização disciplinar. O que não se pode é reduzir um conteúdo apenas a uma análise especializada sem considerar os processos de análise que esses recorrem na investigação e resolução de problemas e situações concretas da e para a práxis cotidiana.
Uma prática interdisciplinar transita do geral ao específico e deste á aquele, do conhecimento integrado ao especializado e deste ao integrado, do território das disciplinas às suas fronteiras e vice-versa.
Porém, a atitude interdisciplinar, significa não só eliminar as barreiras entre as disciplinas, mas também as barreiras entre os profissionais da escola para que busquem alternativas para se conhecerem mais e melhor, troquem conhecimentos e experiências entre si, tenham humildade diante da limitação do próprio saber, envolvam-se e comprometam-se em projetos comuns, modifiquem seus hábitos já estabelecidos em relação à busca do conhecimento, perguntando, duvidando, dialogando consigo mesmo. Trata-se, portanto de uma prática de trabalho científico, profissional, de construção coletiva do conhecimento.
A organização interdisciplinar administrativa e pedagógica da escola se expressa na elaboração coletiva do projeto pedagógico e nas práticas da organização e gestão democrática da escola. Começa com a integração dos e das docentes dos vários componentes curriculares e especialistas, num sistema de atitudes e valores que garantam a unidade do trabalho educativo e se viabiliza por um sistema de organização e gestão negociado. É uma prática que requer a intercomunicação de saberes, atitudes e valores, estes como suportes da interdisciplinaridade.
Como prática curricular pode-se viabilizá-la de várias formas: reunir disciplinas cujos conteúdos permitem transitar-se, por exemplos, projetos ligados a problemas sociais, ás grandes questões atuais, temas unificados...; formular após levantamento da realidade local de problemas significativos para os e as discentes, temas geradores que possibilitem a compreensão global dessa realidade através da contribuição de várias disciplinas; desenvolver práticas de ensino não convencionais que ajudem os discentes a aprender a pensar, a ter maior flexibilidade de raciocínio, a ver as coisas nas suas relações; em cada disciplina orientar o estudo de um assunto para abordá-lo em todos os seus aspectos, ligações, relações internas e externas a fazer a ligação com os problemas sociais e cotidianos.
Ter uma atitude interdisciplinar requer uma mudança conceitual no pensamento e na prática dos profissionais da educação, pois os discentes não conseguirão pensar interdisciplinarmente se estes profissionais lhes oferecer um saber fragmentado e descontextualizado.